quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

17.08.1969 - O sino assassino contempla São João Del Rei ha 138 anos



O sino assassino contempla São João
Del Rei há 138 anos

O JORNAL 2º
Fundador dos Diários Associados: Assis Chateaubriand

Rio de Janeiro, domingo, 17 de agôsto de 1969

Reportagem de Jorge Audi

Esta é a história de Jerônimo. Jerônimo é pardo, tem 138 anos e pesa 4 toneladas. Em São João Dei Rei, Minas Gerais, todos o conhecem. Todos sabem do seu drama, que começou há trinta anos. Foi numa semana santa, quando a cidade estava tôda em festa. Exatamente durante a Procissão dos Passos. Nesse dia, Jerônimo matou um homem. Jerônimo é um sino. Um sino assassino.



O perfil de um assassino abençoado: quatro toneladas de azar.
Em São João Del Rei, a Semana Santa termina com a tradicional Procissão dos Passos. A cidade fica tôda em festa, e de fisionomia alegre. Das Igrejas. o som reiterado dos sinos. Cada qual procura tocar mais forte e melhor. É o também tradicional combate que há entre êles. Aquêle que mais se sobressair, terá a admiração de todos os sineiro da cidade. Jerônimo sempre ganhava. Tinha o melhor som entre todos. Era o mais valente no combate. No ano de 1939, em plena Procissão, quando a competição estava no auge. Jerônimo de repente parou. Estranhamente, emudeceu o melhor sino da cidade. Rápido, a noticia correu. Jerônimo matara um homem.

José Maria Apolinário é o atual sineiro da Igreja de São Francisco de Assis. Ele fica comovido quando fala do seu amigo Jerônimo: «Êle é um enjeitado da sorte, môço. Não posso abandoná-lo. Vou todos os dias até o telhado para visitá-lo e cuidar dêle. Era o mais triste quando precisava ser triste, e o mais alegre quando era para ser. Não é por ser meu amigo, mas Jerônino sempre foi o melhor».
QUATRO TONELADAS DE AZAR
Sinos são batizados e têm nomes, como as pessoas. Jerônimo é o sino maior da Igreja de São Francisco. Segundo contaram as testemunhas, João Pilão, o sineiro da época, estava fazendo o enorme sino redobrar. Era o combate da Procissão dos Passos e, como sempre, Jerônimo ganharia fatalmente. Mas João Pilão, às vezes se embriagava. Era dêsses tipos que conhecem todo mundo, e que todos conhecem. Nêsse dia, porém, Pilão exagerou na bebida. Entusiasmado pelo álcool e pela disputa, esqueceu-se da violência bravia do sino valente. Descuidou-se e foi esmagado contra a parede da tôrre, sob o pêso das quatro toneladas de Jerônimo. Mais tarde, a polícia comprovou que êle estava bêbado, quando morreu. Havia, no local, uma garrafa de cachaça. Mas Isto não foi atenuante para o crime de Jerônimo. Amarrado e impedido de tocar, êle esperou silencioso o dia do julgamento.
A SINA DO SINO
Depois de julgado, Jerônimo foi condenado a dez anos de prisão, no Arsenal da Guerra do Rio de Janeiro. Uma vez cumpripda a pena, foi refundido e trocaram seu nome, considerado maldito. Jerônimo passou, então, a chamar-se Santo Antônio. Na velha Igreja de São Francisco, seu toque viril foi substituído pelo de Conceição, sino suave e sem antecedentes criminais. Da volta à cidade que o condenara, Jerônimo foi colocado na tôrre esquerda da Igreja. Os primeiros contatos com São João Del Rei foram difíceis. Muito mêdo, por parte da população e dos sineiros. Aos poucos, porém, Jerônímo foi-se integrando na vida dos sinos de São Francisco de Assis. Recomeçou a chamar os fiéis para a Missa, anunciar casamentos, mortes, brincar como criança nos dias de festa, marcar as horas da cidade pequena.
POR QUEM OS SINOS DOBRAM
José Maria Apolináno, o amigo de Jerônimo e sineiro dos melhores na cidade, conhece tudo sôbre sinos. Sejam êles pequenos, meiões ou grandes. E embora os pequenos já sejam bastante pesados, os sinos grandes pesam mais de duas toneladas. Apolinárlo conhece sua linguagem, formulada através da dobres e repiques. Por exemplo, êle sabe que quando morre na cidade uma criança menor de sete anos, o sino pequeno deverá dar três repiques. Pela morte de um homem, os sinos grandes dobrarão cinco vêzes. E por urna mulher, serão quatro os dobres. Sa morre um Papa, o sino grande dobra vinte e uma vêzes. Se houver incêndio na Igreja, é preciso tocar frenèticamente o «canjiquinha queimada», que avisa a cidade da catástrofe e chama os fiéis para ajudar. E, em São João Dei Rei, existe ainda o combate. A vantagem na competição dependerá bastante do tamanho do sino e da qualidade do bronze. Mas vai depender, sobretudo, do vigor dos braços que movimentam o sino. Como o dobre é executado pelas mãos, os sinos grandes exigem três ou quatro homens para movimentá-los. E, no entanto, um fio de cabelo humano poderá rachar um sino, graças ao efeito da eletricidade contida nos cabelos humanos, colocada em contraste com a vibração dos sinos de bronze.
OUTRA VEZ, A MORTE
A trágica história de Jerônimo, porém, não termina com sua volta à cidade de onde saíra, depois de cumprir sua pena. Dois anos após ser libertado, Jerônimo estava em pleno combate, na Semana Santa, quando seu badalo se soltou. Foi cair no adro da Igreja, quase matando uma menina. Acabou-se a tolerância. Um militar, general Dorneles, antigo morador da cidade, incumbiu-se pessoalmente de punir Jerônimo pela segunda vez. Providenciou para que êle fôsse novamente refundido e perdesse também o nome. Jerônimo, agora é o sino São Francisco, o sino «invisível», calado e recolhido a uma tôrre onde ninguém entra. Jerônimo, sino dos maiores, que recebeu êste nome em 1830, quando nasceu na fundição da Rêde Mineira de Viação. Êle é um sino condenado. Há anos vive calado e proscrito, na tôrre esquerda da Igreja de São Francisco de Assis. Jerônimo, o amigo de Apolinário. Um sino. Um assassino.

O JORNAL, Rio de Janeiro, domingo, 17 de agosto de 1969

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

15.09.1938 - INTERPRETE DE POETAS


INTERPRETE DE POETAS

O PROXIMO RECITAL DA SENHORINHA NENÊ
BAROUKEL

Nené Baroukel
A senhorinha Nené Baroukel visita o Recife pela primeira vez, trazendo a sua arte. O seu nome é conhecido nos meios artisticos do paiz, dos quaes tem recebido significativos applausos.

Declamadora, a senhorinha Nenê Baroukel dirige, tambem, no Rio, um curso de declamação. As suas alumnas têm, varias vezes, se apresentado ao publico, obtendo sempre exito.

Referindo-se á primeira exhibição de alumnas da declamadora patricia, o escriptor Benjamin Lima escreveu no Diario Carioca: "Minha sympathia espiritual por Nenê Baroukel cresceu de muito em virtude de ella se haver disposto a ensinar a arte em que se fez tão eximia. E, porque se revelou emerita professora, avultou igualmente a admiração que desde muito lhe consagro. Costuma-se dizer que o magisterio resulta sempre funesto á virtuosidade dos artistas. Mas, de minha parte não creio seja isso regra sem excepção.

Os grandes amorosos das artes que ao mesmo tempo vivem praticando e ensinando, não podem ter a sua divina flamma diminuida pelo simples facto dessa simultaneidade. Do contrario, acredito que seu enthusiasmo, seu fervor e seus talentos mais ainda se affirmam, quando ao jubilo das proprias victorias se accrescenta o daquelles a que habilitam e conduzem as intelligencias e as vocações desabrochantes. Nenê Baroukel podia ser apenas — "escusez du peul" — a grande declamadora. Preferiu, porem, fazer-se professora. E insigne professora ja é censoante o comprovam tantas discipulas de admiravel desenvolvimento, e bastaria para o evidenciar esse verdadeiro milagre de precocidade cujo nome é Zoraide Aranha.

Nené Baroukel como declamadora encantava-me. Faz muito mais entretanto como educadora de sensibilidades em periodo de germinação: commove-me. Della, cuja vida se divide, actualmente, entre a gloria de interpretar poetas e a gloria de semear os maravilhosos segredos assim violados, é que Olavo Bilac poderia dizer, sem o menor exagero: ─ "E's a propria poesia".

Nenê Baroukel realizará, no dia 19, o seu recital no Santa Isabel. Essa festa de arte está sendo esperada com interesse.
CERCADA PELAS TROPAS TCHEQUES, A LOCALIDADE DE SCHWADERBACH
RIO, 14 (Diario da Manhã) — Telegrapham de Praga :
— Annuncia-se, officialmente, que as tropas tcheques cercaram a localidade de Schwaderbach, depois que os sudetas envolveram ali, por completo, um destacamento de gendarmes.
ANNIVERSARIO DO CENTRO ALAGOANO
RIO, 14 (A. B.) — A imprensa noticia a commemoração depois de amanhã do 121º. anniversario da fundação do Centro Alagoano.
OPERAÇÕES DE SEGUROS TEMPORÁRIOS
RIO, 14 (A. B.) — O ministro do Trabalho, sr. Waldensar Falcão, em portaria de hontem, autorizou o Instituto de Previdencia a realizar, com os Institutos de Aposentadoria e Pensões, operações de seguros temporarios, com rico decrescente e premio uniforme, em beneficio dos seus associados.
NORMAS SEVERAS SOBRE O SERVIÇO PUBLICO NO MINISTERIO DO TRABALHO
RIO, 14 (A. B.) ─ O sr. Waldemar Falcão, ministro do Trabalho, baixou uma portaria estabelecendo normas severas para o serviço publico.

De accordo com essas normas o ponto será rigorosamente exigido. Somente os directores e chefes de secção poderão receber pessoas que os procurem, sendo prohibida, terminantemente, qualquer palestra no recinto das seccões. Os serventuarios não poderão retirar-se do serviço durante as horas de expediente, tendo os funccionarios apenas 20 minutos para o "lunch".
UMA VISITA DO PRESIDENTE DA REPUBLICA
RIO, 14 (A. B.) — No proximo sabbado o presidente Getulio Vargas visitara as obras da Baixada Fluminense, em Santa Cruz.
VAE AOS ESTADOS UNIDOS UMA EMBAIXADA PAULISTA
S.Paulo, 14 (A. B.) ─ Um numeroso grupo de estudantes da Faculdade de Direito de São Paulo fundou uma entidade cultural, com o objectivo de estudar problemas de maior importancia para nacionalidade. Com esse fim, uma embaixada universitaria ira, aos Estados Unidos, sendo integradas por 300 membros.

Esses tresentos academicos contribuirao com urna pequena quota cada um, afim de que a organização possa fretar um navio do Lloyd Brasileiro que conduzirá a embaixada a Nova York.
SOBRE O ARTIGO 16 DO PACTO DA LIGA DAS NAÇÕES
BUENOS AIRES, 14 (A. B.) ─ O deputado nacional Damonte Taborda, apresentou, hoje, à Camara, um projecto em que pede medidas previstas no artigo 16 do pacto da Liga das Nações contra os Estados aggressores e que os delegados argentinos á Conferencia Pan-Americana de Lima as defendam, afim de dar ás citadas revoluções um caracter continental.

Diário da Manhã, Recife, quinta-feira, 15 de setembro de 1938

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

14.12.2005 - Governo quer reduzir beneficiários do Bolsa Família


Governo quer reduzir beneficiários do Bolsa Família

Com números do Pnad que indicam redução da pobreza no País, avaliação é que meta pode cair

Lisandra Paraguassú
BRASÍLIA
O governo federal estuda a hipótese de mudar a meta principal do Bolsa Família, reduzindo o número de famílias que devem ser beneficiadas pelo programa. A possibilidade surgiu com os resultados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada há duas semanas, que mostra a diminuição da pobreza no País.

A meta atual é que programa beneficie 11,2 milhões de famílias no ano que vem e os técnicos do governo ainda não têm uma estimativa do quanto ela poderá ser reduzida. Até agora, 8,7 milhões já foram atendidas.

Um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas com base nos dados da Pnad apontou redução da pobreza de 27,26% da população em 2003 para 25,08% em 2004 ─ o equivalente a cerca de 3 milhões de pessoas ou 500 mil famílias, no índice usado pelo Bolsa Família.

Mas esse número não pode ser automaticamente transportado para a conta de miseráveis brasileiros, diz a secretária de renda e cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Rosani Cunha. "Muitas dessas famílias que deixaram a linha da pobreza provavelmente o fizeram porque estão no programa. Não podemos simplesmente cortar 3 milhões de pessoas."

O ajuste da meta deve estar pronto apenas em torno de março de 2006. Rosani acredita que o governo precisará esperar o estudo específico sobre programas de transferência de renda, também parte da Pnad, para fazer a projeção.

Os dados atuais de famílias abaixo da linha da pobreza foram calculados com base na Pnad de 2002, ajustados pelo Censo de 2000. Isso deve ser feito novamente com os dados da pesquisa de 2004, porque a Pnad calcula os dados apenas regionalmente e o governo federal precisa de dados municipais para definir quantas famílias serão beneficiadas.

As famílias que devem ser beneficiadas já estão cadastradas pelo governo, no chamado Cadastro Único. Desde o início de 2004, no entanto, o governo federal vem fazendo auditorias para limpar o cadastro de situações irregulares e, este ano, começou um processo de revisão do cadastro que deve ser feito pelas prefeituras. Até agora, 40% do cadastro já foi revisto.

Ontem, o governo federal anunciou que, desde o início de 2004, já foram bloqueados 298 mil pagamentos. Desses, 44 mil foram cancelados. A metade dos pagamentos foi bloqueada por causa da identificação de duplicidade ─ uma mesma família recebendo mais de um benefício. O restante, porque no recadastramento foi identificado que a família já estava acima da linha de renda necessária para receber o benefício ou porque a própria família decidiu devolver o cartão por não precisar mais do programa. •

Jornal O Estado de S.Paulo, quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

30.03.1940 - FOOTBALL FEMININO


FOOTBALL FEMININO

A inauguração dos refletores do Sport Club Tavares ─ Será o maior acontecimento esportivo suburbano ─ O programa organizado para o festival de hoje, á noite

Serão inaugurados hoje os refletores do campo do Sport Club Tavares, com uma festa de grande expressão esportiva. O querido gremio do Engenho de Dentro, reunirá em suas dependencias uma assistencia seleta e entusiasta que irá aplaudir os feitos das representações femininas do Eva F. Club e do Sport Club Brasileiro.

Como se essa atração não bastasse, as candidatas ao título de rainha do sport menor, do plebiscito que vem sendo organizado pelos nossos colegas de "Jornal dos Sports" e a Fabrica Sudan, emprestarão com a sua presença um realce á festa de hoje, á noite.
O programa organizado
O departamento tecnico do Sport Club Tavares organizou o seguinte programa para o seu grandioso festival:

1ª Prova — lra F. Club x Imprensa Naval. Esta peleja terá inicio às 19 horas.
2ª prova, às 20 horas — Eva F. Club x Sport Cub Brasileiro (football feminino). 
3ª prova — Sport Club Tavares x Engenho de Dentro. Esse encontro terá inicio às 21 horas.
Os quadros femininos que atuarão
As duas equipes de senhoritas que jogarão hoje, á noite, apresentar-se-ão assim constitutidas:

Eva ─ Vera; Haydée e Helenita; Ruth, Eliza e Antonieta; Odette, Beatriz, Maria, Aida e Isabel.

S. C. Brasileiro ─ Filhinha; Adyragram e Margarida; Elza I, Sally e Alda; Lourdes, Ophelia, Paradanta, Nilcea e Lourdes II.
Escalado o quadro do Engenho de Dentro
Para o macth de hoje, á noite, a direção tecnica do Engenho de Dentro, escalou o seguinte quadro:

Basilio; Cazuza e Virada; Monteiro, Jofre e Venerotti; Baianinho, Salim, Mulambo, Rubem e Alvinho.
Dinheiro no lixo
Não se iludam com cantigas, usem a Cera Royal, que é a verdadeira cera para lustrar moveis e assoalhos devolva-a ao seu fornecedor, caso não abra lustre imediato. A Cera Royal é encontrada nas côres Preta, Branca, Encarnada, Amarela e Laranja.
O Cadetes F. C. em Magé
O "Cadetes Football Club" no proximo dia 31 de março, fará uma excursão a Magé, para enfrentar o forte conjunto do Mageense Football Club. A embaixada seguirá assim constituida: diretoria: João Monção, Victor Aguiar Bastos, Eduardo Teixeira, José Espineli, Decio Miranda, Jorge Guimarães, Antonio Gomes Salgueiro, Luiz Duarte dos Santos. Jogadores: Mulato, Bola Sete, Neca, Carlinhos, Jacy, João, Parrudo, Chiquinho. Ary, Zezinho e Julio.
Reservas: Cara de Aço e Pedrinho.
Massagista : Januario.
Roupeiro: Vicente.

A NOITE, sábado, 30 de março de 1940

domingo, 14 de fevereiro de 2016

23.07.1975 - Polícia prende 6 suspeitos de autoria do boato


Polícia prende 6 suspeitos de autoria do boato

A Secretaria de Segurança Pública prendeu, ontem, seis suspeitos de participação no ato de terrorismo que deixou o recifense em pânico, quando foi boatado na cidade e nos subúrbios, ao mesmo tempo, que a barragem de Tapacurá havia estourado.

A falsa notícia surgiu às 10 horas, mas as autoridades do Exército, da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar conseguiram dominar a situação em menos de uma hora, desfazendo o boato através de comunicação com alto-falantes.
TERRORISMO
O Secretário de Segurança Pública, coronel Rui Ayres Lobo, disse ontem que a falsa notícia sobre a barragem foi ato de terroristas, uma vez que a ação se desencadeou em vários bairros, simultaneamente, com o propósito de levar o pânico à população.

─ A ação foi dirigida, mas, graças a Deus, o povo, as autoridades e a Imprensa estão unidos. Conseguimos neutralizar o boato em menos de uma hora e, com isso, acalmamos a população. Depois, iniciamos as investigações e prendemos os primeiros suspeitos. Apreendemos, também, vários carros que teriam sido utilizados pelos subversivos, inclusive o táxi placa TX-1667, que encontramos abandonado em Afogados e estava com ligação direta" ─ assegurou o coronel Rui Lobo.

E salientou: "Os terroristas sentiram que o Governo adotou todas as providências contra a enchente: evitamos saques, o governador liberou verbas para ajudar os flagelados, enfim, todas as medidas foram tomadas. Somente restava trazer o pânico. Eles tentaram, mas, graças a Deus, conseguimos contê-los, com a ajuda da Imprensa".

Disse ainda que os boateiros serão enquadrados no artigo 16, § 1.o da Lei de Segurança Nacional, que estipula: "Divulgar, por qualquer meio de comunicação social, notícia falsa tendenciosa ou fato verdadeiro truncado ou deturpado, de modo a indispor ou tentar indispor o povo com as autoridades constituídas. Se a divulgação provocar perturbação da ordem pública ou expuser a perigo o bom nome, a autoridade, o crédito ou o prestígio do Brasil, pena de dois a cinco anos de detenção".

No táxi TX-1667 foi encontrado documento de identidade, mas a SSP não forneceu o nome para evitar que as investigações sejam prejudicadas.

Todos ouviam a notícia e
ninguém sabia sua origem

Em outra pesquisa de opinião pública, o povo abordado nas ruas, nas casas de lanches e no comércio afirmou ter tomado conhecimento da falsa notícia através de outras pessoas.

Muitos motoristas de táxis, alarmados com outras notícias de que os terroristas viajavam em carros de aluguel, se recusavam a fazer corridas, temendo a prisão como suspeitos.
REPERCUSSÃO
─ Eu soube que Tapacurá tinha rachado e corri para casa. Não acredito nos órgãos oficiais, porque só vieram avisar que ia haver cheia depois que a água invadiu a cidade ─ disse um comerciário, que se recusou a dar o nome.

Os camelôs chegaram a retirar todo o material já exposto à venda. Uma loja "chic" da Rua 7 de Setembro bateu todos os recordes de fechamento de portas. Em poucos segundos, encerrou o expediente, quem estava fora não entrava, e quem estava dentro não saía. As moças das caixas registradoras não acertavam mais os números e os administradores da loja procuravam manter a calma aparente.

O boato correu a cidade em mais de seis lugares, na mesma hora. Em Boa Viagem, soube-se de sua existência na mesma ocasião em que se sabia no Arruda, Iputinga, Benfica, centro da cidade e Cordeiro. Na Avenida Caxangá, o pânico foi geral.

Logo, a Comissão de Defesa Civil do Estado, instalada no Palácio Frei Caneca, começou a emitir pelos rádios notas oficiais, desmentindo o alarma.

O presidente da Codecipe, Rinaldo Rocha, ao ser informado de que o povo, na pesquisa de opinião pública, não acreditava nos dados fornecidos pelo órgão que representa, irritou-se com o repórter e afirmou que "tudo isso é mentira..."

Disse que "a população tomou conhecimento que ia haver uma cheia logo cedo. Às 10 horas da manhã da quinta-feira, tudo estava previsto. Às 11 horas, o povo era informado que haveria uma cheia de porte-médio, e, às 12 horas uma de grande-porte".

O presidente da Codecipe taxou de "subversiva" qualquer afirmação de que a população não foi prevenida, enquanto os moradores da Torre afirmam que ouviram "um carro falando alguma coisa sobre cheia, mas não dizia que era para o povo  sair das suas casas que a água vinha muito forte".

Gibson: subversão pretende
jogar povo contra Governo

O 1o. suplente do deputado federal arenista, Nilson Gibson, classificou como ato de "pura subversão de sabotagem ao Governo da Revolução" os boatos que circularam ontem pela manhã por toda a cidade e que provocaram momentos de pânico, de histeria coletiva da população, mal esta procurava se recuperar dos imensos prejuízos da catástrofe que se abateu sobre o Grande Recife, no último fim de semana.
HORA DE UNIÃO
─ A hora é de união, de somatório de todas as forças. É ha hora da afirmação, do despreendimento do sacrifício de todos que têm uma parcela no trabalho de recuperação dos graves prejuízos ─ muitos insanáveis como o da perda de vidas humanas ─ sofridos pela já sofrida população recifense. O governador Moura Cavalcanti vem trabalhando diuturnamente no atendimento dos pernambucanos atingidos pela catástrofe. "Vamos ajudá-lo. É a hora do trabalho árduo e do esquecimento das divergências pessoais" ─ sublimou o político.

─ Estou certo ─ completou Nilson Gibson ─ que o presidente não faltará a Pernambuco e proporcionará ao Governo Estadual todos os recursos possíveis para a recuperação do Recife e demais cidades atingidas pela cheia.

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Durante cerca de uma hora, ontem, pela manhã, o recifense viveu o drama do pânico e do caos total, após a divulgação de boatos sobre o rompimento da barragem de Tapácurá. Numa correria ao estilo salve-se quem puder, a população ganhou as ruas apavorada com a possibilidade de ser aniquilada pelas águas. Isto, após sentir na pele a força das enchentes de dois dias antes.

Homens, mulheres e crianças de todas as idades choravam e gritavam por seus parentes e amigos em busca dos locais mais altos. Muitos corriam de um lado a outro das ruas. sem saber ao certo o que fazer. As mulheres, principalmente, eram acometidas de ataques histéricos e de desmaios. A situação existia pior nos bairros mais atingidos pela cheia.
ENGARRAFAMENTOS
Durante aquela hora que jamais se apagará da memória do recifense, correria de veículos de todos os tipos e tamanhos, pelas ruas do centro e do subúrbio, foi realizada também com os motoristas em pânico. De repente, todos procuravam as áreas mais altas e as famílias, sem obedecer às normas do trânsito e da contenção. Mão e contramão se confundiam entre os que pretendiam deixar o centro ou vir a ele. Os que estavam na cidade, corriam para as suas casas nos subúrbios; as mães de famílias que estavam nos bairros procuram chegar aos maridos na cidade. Era o caos total.

O tumulto durou cerca de uma hora, até que as autoridades emitissem comunicados desmentindo o boato.

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Na hora do alarme, todos se puseram em movimento na expectativa da tragédia

Imagens como estas ficarão gravadas nas retinas dos recifenses

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Número de mortos sobe a 96

O Instituto de Medicina Legal recebeu, até às 18 horas de ontem, 96 cadáveres de vítimas da enchente, tendo identificado 73. Trinta e dois continuam nas três câmaras frigoríficas, sendo 19 desconhecidos. Os demais, embora reconhecidos, não foram reclamados pelos familiares.

O chefe de gabinete da SSP, delegado Mauni Antônio Figueiredo, revelou que este não é o total de mortos pelas águas, mas apenas os da capital e da área do Grande Recife.
IDENTIFICADOS
Eis a relação dos mortos cuja identificação foi obtida:

Maria de Lourdes da Conceição; Raimundo Jose do Nascimento; Maria Evangelista da Silva; João Martins da Silva; Edmilson Lima da Silva; Veridiano Messias Pereira; Luiz Carlos de Castro Cavalcanti; Mônica Maria Ferreira Monteiro; Valdemar de Souza; Wilson de Oliveira; Leda Borba; Maria Batista de Menezes Pereira; Cícera Maria Francisca; José Alexandre da Silva; Walter Fontoura da Silva; Antonio Carlos Ferreira; Josuel Barbosa da Silva; Guilherme Marques Correia; Gaspar Torres da Silva; Sandra Tereza da Silva; Josefa Gonçalves de Lima; Edson Macena da Silva; Izidora Alves Ferreira; Joaquina Florêncio da Conceição; Verônica Cavalcanti; Júlia Camila da Silva; José Pereira da Paz; Isaura Brandão da Silva; Severino Vaz Curado; Severino Francisco Amâncio; José Julio de Freitas Coutinho Hermes; Ana Maria da Silva; Maria Gomes Torres; Judite Gomes de Lima; Josefa Joana da Conceição; Manoel José dos Santos; Jose Pereira da Paz; Moacir Costa da Silva; Ivanildo Francisco da Silva; Zadir Eloi dos Santos; Rosa Maria da Silva; Avelina Francisca da Silva; Wellington Leite; Carlos Alberto Pereira de Oliveira; Jadelino Ferreira da Silva; Davina Josefa Barbosa; Lucia Maria da Silva; Laercio Bandeira de Melo; Josefa Alves da Silva; Eduardo Jose Gomes; Maria Arminda de Souza; Gilberto Zacarias de Andrade e Silva; José Luis de Franca Oliveira; Francisco F. dos Santos; Severino Agostinho das Neves; Josuel da Silva; Antônio Fernandes do Nascimento; Pedro Cândido Pereira; Manoel Benigno de Oliveira; Satiro da Rocha Ferreira Junior; Jose Felix de Lima Filho; Jose Severino Ramos da Silva; Jose Reginaldo Lucindo; Miguel Campelo de Albuquerque; Denilson Gomes da Silva; Jose Roberto da Silva; José Severino dos Santos; Astrogildo Cavalcanti Silva; José Francisco da Silva; Djalma José da Silva; Manoel Régis da Silva; Miguel Firmino dos Santos; e Amélia José de Barros.
Vendas diminuem na Ceasa
As vendas na Ceasa caíram consideravelmente nesses últimos dias. Informou o diretor financeiro daquela Central de Abastecimento, economista Telmo Figueredo, garantindo que há estoque de produtos hortigranjeiros para atender à demanda.

Embora a Ceasa não tenha sito atingida diretamente pela enchente, as águas inundaram o girador do Curado e o setor de varejo foi fechado no sábado, a fim de evitar saque, uma vez que o flagelados estavam famintos e procuravam um local para se abrigar. A administração solicitou reforço de policiamento à Secretaria de Segurança, considerando que as centrais de abastecimento constituem áreas de segurança nacional. A situação, entretanto, já está voltando ao normal.
ESTRADAS
Explicou o sr, Telmo Figueredo que, tendo em vista as precárias condições de tráfego, na estrada que leva ao Brejo da Madre de Deus, dificuldades no transporte de cenouras. Quanto aos produtos altamente perecíveis não está havendo problemas, pois são de "fundo de quintal", (tomate, coentro, cebolinha) e de alta rotação. O tomate vem da Paraíba e a comunicação entre os dois estados é razoável.

Acrescenta que o jerimum vem do Piauí, mas o estoque da Ceasa é suficiente para o abastecimento da cidade ainda por muitos dias. Quanto à banana, o suprimento vem do Crato do Sul do Ceará e de outros municípios de Pernambuco. Existe também grande quantidade de laranja estocada (muitas até em estado de putrefação, pois chegaram bem maduras e antes das enchentes) procedente de Sergipe.
SUPERMERCADOS
As lojas e depósitos de supermercados de Pernambuco foram duramente atingidas pelas inundações, danificando equipamentos e causando estragos nas instalações. Entretanto, as mercadorias estocadas garantem a continuidade do abastecimento do Estado.

Os reparos nas instalações já foram iniciados, devendo ser concluídos dentro de poucos dias.
Fundação convoca supervisoras
A Fundação Guararapes está convocando as suas supervisoras, dirigente, professorado em geral, e principalmente as assistentes dos Centros Comunitários, para a reunião que promoverá hoje, às 7h30min, em sua sede na Estrada do Arraial, em Casa Amarela.

Os dirigentes da entidade municipal, professores Marta Veiga e Jorge Cândido, respectivamente diretores presidente e administrativo da entidade, informaram que o encontro objetiva a organização das atividades do órgão junto aos postos de atendimento aos atingidos pelas cheias.
CONJUNÇÃO
Esse trabalho já foi iniciado conjuntamente com a Secretaria Assistente municipal nos seguintes estabelecimentos: G.E. General San Martin (San Martin); G.E. Dom Carlos Coelho (San Martin); G.E. Célia Arraes (Ambole-Várzea); Associação Sítio dos Pintos (Dois Irmãos); Associação Prego de Ouro (Rua da Areia ─ Tamarineira); Centro Social Elias Carvoeiro (Mustardinha); Centro Comunitário da Praça da Torre, Igreja do Poço da Panela, Salão Paroquial da Várzea, Casarão de Emiliano (Monteiro); G.E. Silva Jardim (Monteiro); Ginásio Martins Júnior (Torre); G.E. Aníbal Fernandes (Santo Amaro).

Na convocação, a diretoria da Fundação Guararapes chama os assistentes comunitários dos Centros da Torre, Beberibe, Várzea, Salgueiro (Engenho do Meio), Largo Dom Luis (Casa Amarela) e Jardim São Paulo. Informa, ainda, que o expediente naquele órgão vem sendo normal para todos.
Médico pede ajuda oficial
para hospitais atingidos
─ Os hospitais atingidos pela cheia necessitam urgentemente de uma ajuda financeira do governo para que possam atender aos necessitados. A situação é de colapso e se uma medida não for tomada com urgência as casas de saúde terão seus problemas agravados ─ disse ontem o diretor do Instituto de Neurocirurgia e Neurologia do Recife, médico Mussa Hazin, um dos prejudicados pela cheia.

O médico afirmou que somente com uma ajuda governamental é que os hospitais terão condições de funcionar novamente. Assim mesmo, é preciso que o empréstimo tenha dois anos de carência e que o juro seja relativamente baixo.
Governo faz advertênciaa exploradores da tragédia
O governador Moura Cavalcanti reuniu a imprensa às 18 horas de ontem e advertiu aos "inescrupulosos que estão tentando explorar o povo neste momento de tragédia", em nota lacônica, nesse teor:

"Recebi informações seguras de que há gente tentando explorar o nosso povo, já tão massacrado e sofrido. E eu advirto a esses criminosos de que não permitirei isso. Saibam que estamos em Estado de Calamidade e aplicarei a legislação com todo o rigor. Que ninguém tente tripudiar porque vai receber um corretivo de que não se esquecerá. Já determinei aos órgãos da Polícia de que atuem com o máximo rigor e me mantenham informado de tudo. Aos comerciantes, peço que vendam com honestidade e atendam ao povo com o respeito que ele merece. Repito que os desonestos devem se acautelar, porque não estou disposto a permitir nem mesmo o menor deslise".
Liberação do FGTS, uma dassoluções para a calamidade
O "estado de calamidade pública" permite aos governantes a adoção de uma série de medidas capazes de minorar os problemas decorrentes da catástrofe. A isenção de impostos, por exemplo, é uma das principais, pelo menos é logo aventada.

Em meio aos comentários sobre o assunto, começa a tomar corpo o de que o Governo Federal poderia autorizar a liberação da conta vinculada (FGTS) para as pessoas que foram atingidas pelas inundações, medida que representaria uma contribuição direta do presidente da República para atenuar os incalculáveis prejuízos de milhares de famílias pernambucanas.
AMPLITUDE
Argumentam as pessoas que sugerem essa medida que a liberação do FGTS, nas circunstâncias atuais, seria uma medida de grande alcance, visto que, entre as vítimas da maior catástrofe que já se abateu sobre Pernambuco, figuram milhares de trabalhadores e funcionários públicos que mantém relação de emprego com empresas públicas e privadas, sob o regime da CLT.

Aos flagelados são oferecidos, e não poderia ser diferente meios de sobrevivência ─ abrigos temporários, alimentação e assistência sanitária. E às milhares de pessoas, de condição sócio-econômicas um pouco acima daquelas que se instalaram nas áreas ribeirinhas, o que oferecer, de forma direta, para aliviar os vultosos prejuízos com casas, móveis, roupas e outros pertences destruídos?

Esta interrogação é feita por muita gente que vive de pequenos salários ─ comerciários, bancários, servidores públicos, industriários, entre outros. Eles são unânimes em sugerir a liberação do FGTS, como uma das maiores medidas que o Governo Federal poderá lhes oferecer nas atuais circunstâncias. "Dois, três, quatro, cinco mil cruzeiros, o que for, tudo serve nesta hora de desespero" ─ argumentam. A conta vinculada é aberta como resultado da relação de emprego, consequentemente, um direito conquistado por cada trabalhador.

Foi a Lei 5.107, de 13-9-66, que criou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, e começou a vigorar em 1-1-67, sendo regulamentada pelo decreto 59.820, de 20-12-66. Aplica-se a legislação atinente ao FGTS aos trabalhadores em geral regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, inclusive das empresas públicas, como também àqueles que prestam serviços, sob o regime da CLT, às pessoas de direito público (União, Estados, Municípios, Autarquias).

Para conceituação do empregado, para os efeitos do FGTS, estabelece o Art. 3.º da CLT: "E toda pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.
LIBERAÇÂO
A conta vinculada é liberada pela agência bancária, simples depositário, quando ocorre um fato como o seguinte, conforme prescreve o Art. 35 do Regulamento do FGTS:

I ─ Nos casos de despedida, sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca e de força-maior, comprovados com declaração escrita da empresa, com o depósito previsto no Art. 22 e seu parágrafo 1.o, ou com sentença irrecorrível na Justiça do Trabalho.
Na hora do pânico,coração mata três
O boato que se espalhou, ontem, no Recife e em Olinda, provocou verdadeiro tumulto entre a população. Homens, mulheres e crianças tentavam, de qualquer maneira, voltar à casa, o mais rápido possível. As ruas que já retornavam à normalidade, apresentaram balbúrdia pior que a da semana passada. Tem-se notícia de que, pelo menos, três pessoas morreram por insuficiência cardíaca, ao tomarem conhecimento de que a barragem de Tapacurá teria rompido.

Os motoristas tentavam de todas as maneiras encontrar caminho para retornar. Os ônibus modificaram os itinerários e tornou-se quase impossível conseguir um táxi durante a manhã. Apesar de todas as emissoras de rádio desmentirem insistentemente a notícia, o povo corria loucamente pelas ruas.
TRÂNSITO
Até quase o meio-dia, intermináveis filas de veículos arrastavam-se pelas principais ruas do Recife, tendo ocorrido engarrafamentos principalmente nas avenidas Conde de Boa Vista, Caxangá e Norte. Embora os motoristas trafegassem em grande velocidade e sem obedecer às normas do trânsito, nenhum acidente de grandes proporções aconteceu.

Os reboques e as equipes de peritos da Delegacia de Acidentes receberam muitos chamados, embora muitas pessoas tenham preferido resolver os problemas amigavelmente.
REPERCUSSÃO
O Hospital da Restauração atendeu a 42 pacientes com problemas cardíacos, crises nervosas e histéricas, motivadas pela falsa notícia. Entre os atendidos, Maria José de Andrade, de 57 anos, residente à avenida Belmiro Correia, 78, em Camarajibe, embora com esforços médicos, não resistiu ao choque, vindo a falecer no RN.

Ainda em Camarajibe, duas jovens da mesma família morreram em consequência do alarme. A primeira, de nome Carminha, residente na Estrada da Aldeia, que estava lavando roupa à beira do rio, morreu no local. A sua prima, Rita da Silva, de 20 anos, quando viu o corpo de Carminha sendo transportado para a sua residência, foi acometida de choque mortal.

Calcula-se, entretanto, que o local de atendimentos em hospitais e clínicas, principalmente centros cardiológicos, tenha se elevado a mais de uma centena.
Povo quase unânime:foi ação de terror

Para a maioria da população, a notícia espalhada na cidade sobre o arrombamento da barragem de Tapacurá foi obra de terroristas interessados em provocar o caos social e lançar a população contra as autoridades. A revolta era maior na classe média e muitos opinavam pela aplicação sumária da lei, prevista em situações de emergência.

Das 80 pessoas interrogadas, abrangendo todas as classes, apenas 12 opinaram tratar-se de "trote ou brincadeira de mau gosto"; cinco acham que a notícia foi "fruto do desespero de alguém que perdeu tudo durante as enchentes"; oito não tinham opinião formada, enquanto 55 afirmavam ser a notícia de origem terrorista.
ESQUARTEJADOS
Para a sra. Iolanda Miranda, comerciante estabelecida na Rua do Lima, no 156, o boato "foi obra de subversivos que deveriam ser esquartejados pois são elementos frios, sem nenhum senao de humanidade e capazes de qualquer ato para atingir os objetivos que desejam".

Já o motorista José Bezerra da Silva, do táxi TX-3025, acha que o boato não passou de uma brincadeira de "algum louco que não meditou nas consequências que poderia ter entra a população". Argemiro de Souza Benevides, pedreiro, declarou não saber se a onda partiu ou não "de gente comunista. Tudo o que sei foi que, na hora em que vi todo mundo se mandando, corri também para morrer junto de minha família, e só quando cheguei em casa foi que fiquei sabendo ser tudo mentira. Agora, se foi ou não gente doida ou comunista que espalhou a mentira, não sei. Isso é com a polícia".

Para o capitão reformado Gabriel Damasceno Tavares, da diretoria da Irmandade da Conceição dos Militares, "o rebate falso partiu da mente doentia dos subversivos, e espalhada simultâneamente em todos os recantos da cidade ou seja, na mesma hora, é o suficiente para identificar a sua autoria criminosa. Para esses tipos de elementos todo castigo é pouco".

Diário de Pernambuco, Recife, terça-feira, 23 de julho de 1975

sábado, 13 de fevereiro de 2016

07.06.1975 - Nossos Artistas Plásticos e a Pinacoteca Municipal


Nossos Artistas Plásticos e a Pinacoteca Municipal

Na quinta feira que passou foi inaugurada oficialmente a Pinacoteca Municipal, que está instalada numa das salas de exposições do Museu da cidade. A pinacoteca recebeu o nome de Aldo Locatelli, numa justificada homenagem ao artista que por bom tempo viveu aqui, nos deixando uma das mais significativas obras de arte de todo o Rio Grande do Sul: a Via Sacra da Igreja de São Pelegrino e outras pinturas, também na mesma igreja, destacando-se "A Grande Ceia", afora outros trabalhos seus encontrados hoje no Palácio Piratini, na Catedral de Santa Maria, dentre mais.

Para um pequeno conhecimento e informação dos artistas que doaram alguma obra para a Acervo da Pinacoteca e que têm se dedicado às artes na cidade é que se faz necessário apresentá-los. Vinte artistas, até o momento, doaram uma de suas obras para a Pinacoteca Vinte artistas que proporcionaram um momento de reflexão sobre artes plásticas. Um bom momento para vermos o que acontece a respeito de arte na cidade e situá-las no plano cultural da arte contemporânea.

Deparamos hoje, com novos instrumentos para fazer arte e com uma arte nova para estes mesmos instrumentos. Assim sendo, aquele que se propõe a trabalhar uma arte, não pode restringir-se ao plano da técnica e nem pode fazer de uma boa técnica, um significado para arte. Existe agora um mundo de sensações que significam, cada uma de sua maneira, a reação do artista ao social, ao fato ou a uma circunstância qualquer. É da responsabilidade do trabalhador de arte, fazer dela uma sensação, procurar uma noção nas pessoas, mas não uma definição. De que vale pintar uma paisagem da maneira que a vemos somente? De que vale pintar um rosto, simplesmente?

Talvez, o que realmente valha, é poder sentir um rosto para pintar; é poder penetrar a natureza para senti-la.

Dezoito pintores caxienses nos mostram sua arte. Vamos consumi-la, na medida em que ela nos toque.

Textos de Liliana Alberti,
Evaldo Schumacher, Juventino Dal Bó e Valdir dos Santos.           

BRUNO SEGALLA — É natural desta cidade, onde nasceu a 7 de outubro de 1922. Já expôs diversas vezes, sempre com o mesmo sucesso. Ele diz "além de minha especialização como medalhista, há mais de 25 anos dedico-me à escultura em cerâmica e metais. Exprimo em meus trabalhos o social, o humanismo e uma mensagem espiritual de paz e justiça". A obra que doou à Pinacoteca é uma escultura, "O Exilado", a qual ele define desta forma: "é a angústua do homem, longe de sua pátria; expressa uma imagem e gesto de dolorida saudade e inconformismo marcado por profunda solidão". Bruno Segalla projetou e está executando o "Monumento do Centenário".

DIONÉIA DE CARLI — Desde que começou a se dedicar às artes, preferiu a gravura e a xilogravura, tendo feito cursos de técnicas com Danúbio Gonçalves, Armando Almeida, Paulo Meuten, entre outros. É uma das figuras mais constantes em exposições de artistas caxienses pois suas gravuras são bastante significativas. Definindo o que faz, ela explica que em seus trabalhos "as formas exiladas buscam um caminho, para que fique a possibilidade de um novo incêndio purificador". A xilogravura doada é "Recomposição de Formas".

LILIANA ROSSETTI — É natural de Veneza, Itália, mas há muito tempo radicou-se aqui. Além de professora na Universidade de Caxias do Sul, Liliana tornou-se bastante conhecida pelos painéis que elaborou e estão expostos no Rincão da Lealdade. É uma das mais esforçadas artistas caxienses, pois tem procurado descobrir em técnicas e materiais diversos, o que de bom eles podem oferecer para uma composição plástica. Um exemplo disto é o trabalho que doou à Pinacoteca, "Paisagem", estilização gravada em metal, que, segundo ela, é uma "evocação dos primeiros contatos do homem com a paisagem brasileira". 

BEATRIZ BALEN — Natural de Caxias do Sul, sendo formada em Artes Plásticas pela Universidade de Passo Fundo. Dentre outros prêmios, recebeu o "Prêmio Pintura 71-Curso Internacional de Férias, Teresópolis, RJ". Prefere à pintura a óleo, que lhe tem possibilitado um trabalho de constante criação, quer seja de telas com figuras humanas, nas mais variadas expressões do dia-a-dia, ou de retratos, bastante coloridos, onde os rostos como que sobressaem da tela, transfigurados por uma certa nostalgia Obra doada: "O Velho".

MARISA SARETTA — Natural desta cidade, onde formou-se em Belas Artes, tendo mais tarde concluído licenciatura pela PUC-PA. A qualidade de seus trabalhos tem surpreendido, pois, como se sabe, a pintura com aquarela (sua técnica preferida) é das mais difíceis. Tem participado de diversas exposições e um de seus trabalhos mais característicos está exposto na Pinacoteca: "Estudo Roxo nº 2", que é uma estudo de monocromia, procurando exalar atmosfera e perspectiva. Através da delicadez a suavidade das cores e da elegância das linhas, representa, subjetivamente, o âmago de emoções e a essência da beleza do orbe.

ROBINSON SOBRERA — Natural do Uruguai, onde expôs em várias galerias e aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, chegou a esta cidade e conseguiu se impôr com retratista e ótimo pintor. Suas telas são apreciadas e sua técnica é mais sofisticada, o que já lhe marcou bastante e possibilitou, além disto, um reconhecimento e admiração. Doou a obra: "Caxias Antiga".

IRIS ABELLA — Casada com Sobrera, Iris tem procurado transmitir em suas telas, a religiosidade que vive e convive com o homem. Seus quadros são quase sempre procissões, como o que doou à Pinacoteca, "Procissão" — onde vultos curvados sugerem uma meditação profunda e verdadeira, real.

ROSEMARY SPINATO SCOTTI — Licenciada em Desenho pela UCS, Rosemary também participou de outros cursos em São Paulo e em Porto Alegre. Tem exposto poucas vezes, mas conseguiu impor-se dentro de um estilo muito pessoal e criativo. Suas esculturas são frágeis e leves, com pequenos detalhes de grande efeito e beleza, como, por exemplo, dedos de mãos e roupas com dobras e textura delicadíssimos, podendo ser observada na "Madona", que doou à Pinacoteca. Ela explica que "procura alcancar novas formas e sintetizar em suas obras a beleza, o movimento, as cores".

NAYR MENEGOTTO HOFFMANN — Formada pela primeira turma da Escola Municipal de Belas Artes, estudou com Aldo Locatelli, Vasco Prado, Kotz, entre outros. Sua pintura é acadêmica, quase sempre paisagens evocativas ou de significado regional como é o caso do quadro doado à Pinacoteca, "Colônia de São Romédio".

PEDRO SARETTA — Conhecido industrial, Pedro Saretta é autodidata. Personal em seus trabalhos, o mesmo faz com gravuras e esculturas em argila, com a mesma força criativa que aparece em suas telas. Doou para a Pinacoteca Aldo Locatelli, a escultura "O Frade", que para ele "representa a crise atual da religião, a tortura das dúvidas". É natural desta cidade.

ROJANE LOPES — Natural de P. Alegre, mas reside aqui há muito tempo. Desenha especialmente rostos, procurando dar-lhes imagem dos sentimentos que povoam a mente do homem: "nascimento e alegria e tristeza e amor e solidão e tédio e lucidez e angústia e desespero e morte e paz. Procuro abrir a porta dos cárceres cotidianos, sem pretensões de indicar caminhos". Na Pinacoteca poderão ser vistos três de seus desenhos: "Paz", "Decepção" e "Vida". Alguns acreditam que seus desenhos chegam ao surrealismo, pelos efeitos e relações que estabelecem entre imagem e sentido.

MARIA SOLEDAD DAMIANI — Dotada de grande senso crítico e profunda conhecedora de artes em geral, Maria da Soledad diz que "desde cedo manifestou interesse pelo desenho e pintura. Pintava por absoluta necessidade de expressão, sempre que lhe vinham à mente, imagens e figuras difusas". Recentemente, participou de um curso ministrado por Iberê Camargo. Para cada obra, elabora um poema correspondente. Os que mais a conhecem dizem que está sempre criando algo novo e procurando incentivar as pessoas ao gosto artísticos, sugerindo estudos e soluções. Obra doada. "Nascimento".

ALY CHAVES SILVEIRA — Natural de Caçapava do Sul, participou de algumas exposições e realizou cursos de Tapeçaria, a que se dedica. Doou uma tapeçaria — "Boitatá", uma lenda conhecida entre os gaúchos.

SALLY CARDOSO DA LUZ — Natural desta cidade e formada pela Faculdade de Belas Artes local, tem realizado inúmeras exposições e obtido prêmios como a Medalha de Ouro, 1º lugar em Retrato, conferido pelo artista Aldo Locatelli, no 1º Salão Popular de Belas Artes, 1959, em nossa cidade. Desde então, tem sido uma figura conhecida no meio artístico pela sua capacidade de retratar pessoas. "Busco atingir sempre um maior aperfeiçoamento dentro da arte, procurando através dela e com ela, minha realização pessoal". Doou o quadro "La Noneta", um rosto de mulher, que é "a expressão de um povo, pela face encarquilhada de uma imigrante".

VALDIRA DANCKWARDT ─ Uma de nossas grandes personalidades artísticas, tendo participado de grande número de exposições, individuais e coletivas. Dentre outros prêmios, recebeu, em 1967, a medalha oferecida por Dom Sebastião Bággio, Núncio Apostólico do Brasil. Busca sua integração e comunicação humana por intermédio da arte, obedecendo ao apelo que sua sensibilidade natural e circunstancial lhe transmitem. Ótima desenhista, Valdira tem-se destacado por uma grande coerência. A obra que doou é um quadro, "Solidão": "um homem só, no meio do mundo em ruínas e que expressa, através da violência de cores, linhas, a angústia e o medo da solidão".

ICLÉIA CAITANI — Uma das novas artistas gaúchas, que fixa residência em Caxias, para lecionar Desenho no Atelier Livre da UCS. Participou de algumas mostras coletivas e fez cursos com Danúbio Gonçalves, Armando Almeida e no Atelier Livre de Porto Alegre. Ela diz que "há mais ou menos três anos dedico-me à pesquisa de novas formas, com base em figuras humanas e formas vegetais. É o tipo de pintura com a qual mais me identifico e me empenho em desenvolver. A obra doada, "Abstrato", é bem representativa da fase que Icléia vem pesquisando e desenvolvendo — uma simbiose de seres e formas.

ELYR RAMOS RODRIGUES — Pioneira no campo de ensino das Artes em Caxias do Sul, foi, vários anos, diretora da antiga Escola Municipal de Belas Artes, o que lhe trouxe popularidade aqui. Realizou diversas exposições e tem participado de comissões artísticas de alto nível. A preocupação que tem é mostrar, em suas obras, o que de bom a natureza humana possui, pois acredita nas possibilidades inerentes a cada pessoa, dando a seus trabalhos caráter místico e humanitário.

VERA BEATRIZ STÉDILE ZATTERA — Uma das nossas melhores artistas, mercê de seu criativo trabalho e pesquisa de materiais que se adaptem e contribuam para uma melhor exploração da Tapeçaria, sua técnica preferida. Neste sentido, suas tapeçarias quase se transformam em esculturas, como o trabalho que está na Pinacoteca: "Isolamento".

DAVID RATTI — Natural de Itália, estudou com Alfredo Ortelli e Dario Wolf. Hoje radicado em Caxias do Sul, conta com uma produção que prima pelas paisagens detalhadíssimas; raramente expõe, e a obra que doou é: "Os Pioneiros", evocando os imigrantes, que "de uma pequena semente, fizeram surgir uma grande planta; de uma pequena faísca, uma grande chama".

NELLY ZATTI JUCHEN — É natural de Caxias do Sul, mas fomou-se em Artes Plásticas pelo Instituto de Belas Artes de Porto Alegre. Participou de diversas exposições individuais e coletivas. É exatamente a pessoa dotada de agudo senso crítico e que fez da arte e da educação artística, o centro, o objetivo principal de sua vida. E isto ela deixou bem claro quando questionada sobre o objetivo que dava à sua obra, ela respondeu: "que posso dizer? É minha vida!... A obra que doou à Pinacoteca é uma escultura em feno "Asas do Progresso".

Jornal de Caxias, Caxias do Sul, sábado, 7 de junho de 1975.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

11.04.1969 - D. HÉLDER QUER QUE JOVENS SIGAM EXEMPLO DOS BEATLES


D. HELDER QUER QUE JOVENS SIGAM EXEMPLO DOS BEATLES


MANCHESTER (AP ─ O GLOBO) ─ O Arcebispo Dom Hélder Câmara, do Brasil, conclamou hoje aos estudantes do mundo que se unam aos Beatles em denunciar a sociedade.

"Vocês devem completar a mensagem dos Beatles" ─ disse o prelado a 1300 delegados de 32 paises, num congresso de movimento estudantil em Manchester.

D. Helder, que é arcebispo de Olinda e Recife no Brasil, disse que o grupo de músicas britânicos havia dado um exemplo e agora "jovens colegas dos Beatles protestam contra a forma monstruosa em que vivemos hoje, com nossos falsos valôres, contra a ridícula mecanização de tudo, inclusive do dinheiro".

"Podemos por acaso deixar de entender os "hippies", seus lemas e seus excessos psicodélicos e sua terrível amargura?", perguntou.

"Vocês devem mudar fundamentalmente a norma do comércio internacional, eliminar o neocolonialismo e fomentar o desenvolvimento de tôda humanidade", disse D. Hélder aos estudantes.

Afirmou que o racismo não era somente uma questão de brancos contra negros, mas sim que se trata de que "os negros estão separando-se sistematicamente dos brancos."

Encareceu aos delegados para trabalharem por um mundo multirracional.

Espera-se que o Arcebispo pronuncie um discurso ante uma "convenção de pobres", que se realizará domingo pela manhã em Londres, organizada pelo grupo britânico Hazlemere.

"Estou tentando conseguir a liberdade para nosso povo por meio do Movimento de Pressão Libertadora, declarou anteontem em Londres, D. Hélder Câmara, arcebispo do Recife, segundo entrevista publicada pelo "The London Times", que registra a passagem do prelado por aquêle pais.

Em sua entrevista, D. Hélder declarou que se deve ensinar o povo brasileiro a "lutar pela liberdade" e que o atual Govêrno brasileiro "opõe-se a qualquer mudança no Pais, em nome do anticomunismo".

Depois de acentuar que respeita "aquêles que se pronunciam em favor da violência", D. Hélder salientou que "se nossa Pressão Moral não fôr suficiente, o Govêrno será responsável pelas conseqüências". E acrescentou: "As mudanças deverão ser introduzidas rapidamente se se quiser evitar a revolução pela violência, porque o povo é tão infeliz no Brasil que já se tornou fatalista. Aceita a situação e nela vê a vontade de Deus. Devemos ensiná-lo que deve lutar por sua liberdade".

Ao ser interrogado pelos jornalistas sobre o ataque com metralhadora sofrido pelo Palácio Arquiepiscopal do Recife, D. Hélder esforçou-se em minimizar o fato, e afirmou: "Encontrava-me então em minha residência e acredito que ninguém queria prejudicar-me".
"Padre turbulento"
"The Guardian", jornal liberal destaca a presença de D. Hélder na Inglaterra, onde foi pronunciar conferências para os estudantes de Londres e Manchester, com o título: "O mais turbulento dos patres".

O jornal acrescenta que o prelado foi a Manchester "para falar de pobreza a um congresso de estudantes porém sua verdadeira mensagem é a revolução para todo o mundo".

George Harrison e sua espôsa Pattie deixam o tribunal da cidade de Walton, a 31 de março último, após pagarem, cada um, quantia equivalente a 2.400 cruzeiros novos por posse de maconha.

Logo após posarem nus para a capa de um dos discos dos "Beatles", John Lennon e Yoko Ono foram presos, a 18 de outubro de 1968, acusados de fumar maconha e dificultar a ação policial.

O Globo, sexta-feira, 11 de abril de 1969