sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

07.08.1996 - Sofunge fecha e 1.500 perdem empregos

ECONOMIA
TRABALHO


Sofunge fecha e 1.500 perdem empregos

Empresa acumulava
prejuízo de R$ 30 milhões e
vai vender ativos para
pagar trabalhadores

LILIANA PINHEIRO

A Sofunge, com prejuízo acumulado de R$ 30 milhões nos últimos dois anos, encontrou ontem em regime de liquidação. Assim, rescindirá contrato com seus 1.500 empregados e fechará as portas definitivamente. A empresa depende da venda de seus ativos - prédio, terreno, máquinas, etc, da fábrica na Lapa - para pagar os trabalhadores. O patrimônio é avaliado em R$ 1,8 milhão, valor que segundo a direção da companhia é suficiente para saldar a dívida trabalhista. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse ter ficado revoltado com mais essa baixa na sua categoria, hoje com 320 mil empregados. Em apenas um dia, cerca de 0,5% dos Metalúrgicos da Capitai ficaram desempregados

A liquidação foi anunciada ontem, um dia depois da reunião de acionistas que chegou à seguinte conclusão: a empresa não tem mais condições de enfrentar a globalização da economia, o excesso de interferência da Justiça nas relações trabalhistas, a desatualização cambial e o mercado interno retraído.

O principal acionista da Sofunge, com mais da metade das ações, é a Fundição Tupy. Assim, o presidente executivo da Tupy, Mário Egerland, foi eleito liquidante da fundição, que fornecia blocos, cabeçotes e carcaças pata motores de tratores e caminhões da Maxion, Mercedes-Benz e MWM. De Janeiro a junho, o mercado de tratores teve queda de 60% em relação a igual período do ano passado, e o de caminhões de 30%, de acordo com o presidente.

"Quando decidimos comprar a Sofunge - até novembro a empresa pertencia à Mercedes-Benz - tínhamos um programa de reestruturação previsto", afirmou Egerland. Mas, em dezembro, o Tribunal Regional do Trabalho, num julgamento de greve na empresa, decidiu dar estabilidade de seis meses aos empregados. 

Assim, sem faturamento para arcar com salários e impossibilitada de demitir e aumentar a produtividade por empregado, a empresa passou a destinar 73% do faturamento para a folha de pagamento.

Indústria faz mais 1.833 demissões

ISABEL DIAS DE AGUIAR

A indústria paulista demitiu 1.833 trabalhadores na quarta semana de julho, o correspondente a uma queda de 0,09% no índice medido pelo Departamento de Estatística (Depea) da Fiesp. Desde o inicio do mês, 8.102 empregados da indústria foram dispensados, equivalente a uma queda de 0,40%.

O poncentual aponta para um agravamento do cenário no mercalo de trabalho. Em junho, o setor industrial do Estado demitiu 4.670 trabalhadores, com queda de 0,21%.

O prognóstico dos empresários de estabilidade no mercado de trabalho no segundo semestre não se confirmou. Apesar da expectativa de um moderado aquecimento nas atividades industriais, impulsionadas pelo efeito sazonal, próprio do período, muitas empresas mantêm a politica de enxugamento de seus quadros de funcionários.

Dentre os 46 setores industriais pesquisados, apenas sete contrataram. Outros 14 setores continuam demitindo trabalhadores. Entre esses, destacam-se as indústrias de alimentos congelados e supergelados, malharias e meias, relojoaria, parafusos e porcas, perfumaria e fundição. O emprego na indústria paulista acumula queda de 5,10% desde janeiro, o correspondente ao fechamento de 109.589 vagas. Nos últimos 12 meses, essa queda foi de 11,83%, o que representou a perda de 274.701 postos de trabalho.

O Estado de São Paulo, quarta-feira, 7 de agosto de 1996

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

05.08.1981 - O Cão de Fila



O Cão de Fila

A importante revista alemã Molosser, da qual sou correspondente no Brasil, dedicou quase um terço das 72 páginas de sua edição de maio último à raça cão de fila brasileiro e seus atuais graves problemas; tal fato, entre outros, dá-me a esperança de sensibilizar parte do seleto público leitor do JB, com um alerta sobre os danos que ações inconseqüentes de pessoas anormalmente ambiciosas vêm trazendo à nossa cinofilia (a criação de cães de raça), atividade inegavelmente associada à cultura de todas as nações.

Conforme levantamento criteriosamente efetuado pelo executivo de comércio exterior Francisco Peltier de Queiroz, o Cão de Fila Brasileiro, última raça canina originária de nossa pátria, vem sendo vítima de um processo de mestiçagem, não apurado por várias diretorias do Brasil Kennel Club, entidade que também se intitula Confederação do Brasil Kennel Club.

Em busca de uma real solução para este problema, foi fundado o Cafib (Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro), sediado à praça Prof. Resende Puech, 43 — Pinheiros — 05444, São Paulo, SP.

O Cafib apresentou ao Ministério da Agricultura, embasado no levantamento de Peltier — que recebeu apoio da Imprensa, na figura do titular da então coluna de cinofilia do JORNAL DO BRASIL, Sr Paulo Roberto M. Godinho e na figura do colunista cinófilo de O Estado de S Paulo, Sr Antonio Carvalho Mendes — um dossiê sobre a mestiçagem, o qual foi lá tecnicamente apreciado e aceito, ocasionando a elaboração em 1980 de um relevante protocolo (publicado no Diário Oficial da União) entre o Ministério e o Cafib, prévia do reconhecimento deste por aquele, o que viria a outorgar logo em seguida ao Cafib o status de única entidade autorizada pelo Governo brasileiro a emitir pedigrees (certificados de registro de origem de cães de raça) e a realizar exposições caninas especializadas da raça Fila Brasileiro.

Esta situação, mundialmente constrangedora principalmente para as seis últimas diretorias do Brasil Kennel Club, porém causada essencialmente apenas pela mestiçagem e pela não apuração dela, teve seus lógicos rumos subitamente alterados por uma aparente manobra política dos mestiçadores: aconteceu curiosa medida ministerial, excluindo surpeendentemente todos os caninos (de todas as mais de 300 raças estrangeiras também) de qualquer controle por aquela Pasta, dentro de nosso território.

Comentam grandes conhecedores de cinofilia entretanto, que a medida do governo teria provocado suspiros de provisório alívio no seio da mestiçagem, pelas seguintes razões:

a) o Brasil Kennel Club não tem como explicar cinologicamente o impressionante número e a vexatória diversidade de seus filas-mestiços, que contudo ostentam pedigrees como se fossem de pura raça. Ao afirmar que semelhantes coquetéis rácicos seriam decorrência do Fila não estar ainda geneticamente fixado, seus dirigentes mentem, contradizendo as evidências cinotécnicas amplamente explanadas nas dezenas de edições do tablóide O Fila, pelo advogado e cinólogo Paulo Santos Cruz e também contradizem a si mesmos, considerando que a raça foi reconhecida décadas atrás no estrangeiro como já fixada, a pedido deles próprios...

b) diante de uma opinião pública cinófila brasileira grandemente iludida pelos mestiçadores e alheia aos mecanismos sutis da mestiçagem, anestesiada ainda por natural apego ao que é seu e que pensa ser puro, porque lhe foi vendido como tal, configurando um círculo vicioso que se origina na reduzida difusão da cinofilia no país em padrões efetivamente técnicos, fruto das péssimas administrações do próprio Brasil Kennel Club, prefere esta agremiação que haja um mínimo de controle às suas atividades por assegurar-se desse modo que as irregularidades nunca seriam devidamente apuradas;

c) persistindo o controle ministerial e a saneadora realidade do reconhecimento governamental ao Cafib, estaria o Brasil Kennel Club fadado a rápida insolvência, peculiarmente vulnerável à uma enxurrada de processos judiciais movidos pelos milhares de pessoas por ele lesadas, proprietários de falsos-filas espalhados nos últimos anos pelos mestiçadores por todo o Brasil, o que rendeu a estes, livre do Imposto Sobre a Renda, muito dinheiro...

d) não havia como o Ministério da Agricultura inverter ou anular o andamento do justíssimo reconhecimento ao Cafib, por maiores que fossem as pressões políticas por parte dos interessados na mestiçagem do Fila;

e) afastada a ação controladora do Ministério — vínculo este cuja importancia o B.K.C. ainda ousou minimizar após consumado o rompimento — sem dúvida o Brasil Kennel Club levava algumas vantagens iniciais no confronto com o Cafib, a saber: foi fundado há muito mais tempo, desfruta de eventual vínculo com a FCI (Bélgica), dispõe de poder econômico elevado (decorrente de congregar aficcionados de todas as raças caninas e decorrentes das altas taxas pelo enorme número de indefesos proprietários dos mestiços) e utiliza o nome pomposo de um quadro de árbitros, formado de conhecedores de algumas raças estrangeiras, para tentar dar credibilidade a um cenário de mestiçagem, através de um padrão de raça tendenciosamente modificado para favorecer os mestiçadores e seus produtos.

Os principais nomes apontados nos trabalhos de Peltier como envolvidos direta ou indiretamente no quase aniquilamento técnico-cultural do puro Fila, são os dos Srs Eugenio Lucena, Enio Monte, João Baptista Gomes, Prof. Procópio do Vale e Jacob Blumem.

O casal Jacob e Andrea Blumen, titulares do canil Curumaú, do Rio de Janeiro, são proprietários de cães amplamente utilizados na reprodução na seara do Brasil Kennel Club, embora expressamente apontados como mestiços pelos estudos técnicos do Cafib.

O Clube Mineiro de Criadores de Fila Brasileiro desfiliou-se do Brasil Kennel Club, em histórica decisão tomada por seu então presidente Cel. Arthur José Walter Verlangiéri, solidarizando-se com o cinólogo Paulo Santos Cruz e com o Cafib na luta contra a mestiçagem, e dando colorido especial ao assunto, pois Minas Gerais e São Paulo são os dois principais centros brasileiros de Filas puros.

O brado liderado por Christofer Habig, juiz alemão de Filas, árbitro da FCI e editor da revista Molosser, é o sinal que vem da Alemanha, pátria mundial das grandes raças de trabalho, em defesa do nosso Fila, fato tão marcante quanto a exportação de Filas de Paulo Santos Cruz na década de 50 para o príncipe alemão Albrecht da Baviera; desta feita, um brado para rapidamente minimizar os malefícios que os mestiçadores muito já causaram e estão causando à imagem de nosso país nesta fronteira cultural junto às cinofilias de todo o mundo.
Carlos Feijó de Carvalho — Rio de Janeiro.

Jornal do Brasil, quarta-feira, 5 de agosto de 1981

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

13.02.2000 - Crimes reais, julgamento virtual



Crimes reais, julgamento virtual

Site de cartunista 
julga tenente que
atuou na ditadura 
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RODRIGO MORAIS
Especial para o JB

Um tribunal virtual, implacável com criminosos políticos. Assim funciona o site Trial by Cartoon, idealizado pelo cartunista brasileiro Carlos Latuff. O site, que já realizou o julgamento do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, do Tio Sam, do governo da China e do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, volta agora suas baterias para um brasileiro.

O réu deste mês é o ex-tenente do Exército Marcelo Paixão de Araújo, acusado e condenado no site por "sérias violações aos direitos humanos, assédio, intimidação, maus-tratos e tortura contra, pelo menos, 22 cidadãos brasileiros, durante a ditadura militar". Paixão é apontado no site como o "Criminoso do mês" e foi indicado a Latuff pelo grupo Tortura Nunca Mais.

O ex-militar é mostrado — como outros personagens que figuram no site — com pés de bode e garras no lugar das unhas. De pé à beira de uma piscina de sangue, onde bóiam corpos humanos, Paixão tem atrás de si, no desenho, uma caveira com a farda do Exército, que lhe estende uma bandeira do Brasil transformada em toalha.

Latuff justifica a escolha: "É um cínico que cumprimenta as vítimas, assume o que fez e disse que faria tudo de novo". A entrada do ex-tenente no site é fruto da cobrança dos internautas. "Fui inquirido sobre o porquê da ausência de figuras da ditadura brasileira".


O ex-tenente Paixão, no site de Latuff: piscina de sangue 

Jornal do Brasil, 13 de fevereiro de 2000, página 2

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

11.08.1985 - Houaiss decifra os mistérios da cerveja

Houaiss decifra os
mistérios da cerveja

Danusia Barbara 

PAPO de cerveja é comprido, erudito ("o Pepeu do Goitaquence encaçapou 18 pênaltis só em 1853"), sempre relevante para a história da nação e cheio de discussões acaloradas — ou estupidamente geladas, dependendo do chope. Pois agora, além dos tira-gostos de sempre — as batatinhas, os torresmos, o provolone à milanesa, os remédios para o fígado — o bebedor sério arranjou mais um tempero para o papo: um livro escrito por um imortal da Academia, só sobre a lourinha.

Livrinho aliás vistoso, bem editado, com ilustrações sugestivas e informações preciosas para gastar na mesa do chope, naquela hora de crepúsculo cervejal, onde a língua começa a arrastar e a questão etimológica passa a ser importante. Quem, senão mestre Antonio Houaiss, desencavaria que a palavra bebida, com a repetição do b, marca, nos lábios, algo que é quase imitativo do ato mesmo de ingerir liquido?

Mas o tradutor de James Joyce não pára por ai. Estudando o latim cervisia ou cerevisia, fala do xythum no Egito, vai ao italiano cervigia (suplantado por birra), explica o velho alto alemão bior, o médio holandês e holandês moderno bier e diz que, a primeira documentação do espanhol cerveza é de 1482, embora, assim como o português cerveja, devesse ter "curso oral bem anterior".

Antonio Houaiss gosta de beber cerveja e não fica só nas erudições filológicas:

 Adoro a cerveja pelo que ela tem de socializante, de exotérico (com x, porque esotérico com s é adjetivo para a libação com vinho) e de natural. Não há namoro que, depois de vários copos de cerveja, não possa ser interrompido para se fazer pipi. Quer coisa mais bonita que isto?

Enquanto luta corpo a corpo para fazer o maior dicionário da língua portuguesa ("será três vezes maior que os existentes até hoje"), Antonio Hauaiss encontrou "uns quinze dias" para fazer o livro, a convite do editor Geraldo Jordão Pereira. Já tinha os dados, foi questão de redigi-los.

O livro fala da história da cerveja, seus componentes, dá números e fatos curiosos, estuda diversas marcas por todo o mundo e ainda fornece receitas, como salada de cerveja, sopa de cerveja, camarões ao vapor de cerveja etc.

A cerveja é provavelmente a mais antiga das bebidas alcoólicas. Na Babilônia já era consumida, há 6 mil anos. Mas foi no século XX que houve a explosão de sua produção e consumo. Em 1984, só os Estados Unidos produziam mais de 226 bilhões de litros. No mesmo ano, o Brasil ficava com mais de 28 bilhões de litros e calcula-se que a média de consumo per capita mundial esteja em torno dos 36 litros. 

Os alemães são o povo que mais consome cerveja, seguidos dos belgas, tchecos e australianos.

Baixa fermentação, alta fermentação, depois de tudo destrinçar, comparar e até explicar ("a bitter stout, cerveja nacional irlandesa, produzida pela Guinness, de Dublin. Aspira a ser cerveja macha, amarga (...) Bebe-se à temperatura ambiente, às vezes ligeiramente esfriada, e às vezes, mais raramente, alternada com champagne"), Antônio Houaiss aguarda os convidados para autografar o livro, A cerveja e seus mistérios hoje, no Paço Imperial, a partir das 18h. Serão distribuídos, gratuitamente, numa cortesia da Brahma (tiragem de 5 mil exemplares).

— E qual a sua cerveja preferida, Antonio?

A tcheca Pilsen. Mas também gosto das alemãs em geral e tomo muito bem as brasileiras. Só não tomo mais porque minha mulher não deixa.

Foto de Carlos Mesquita
Houaiss: imortal e expert em cerveja

Jornal do Brasil, domingo, 11 de agosto de 1985

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

05.04.1995 - Auditoria do TCU aponta desvios em estatais

POLÍTICA
ADMINISTRAÇÃO


Auditoria do TCU aponta desvios em estatais 

André Dusek / AE-26/4/93
Villaça investigação ampla 


Correios pagaram corrida de kart
que não aconteceu, Telebrás contratou
torcida para Piquet e Petrobrás
superfaturou compras, diz tribunal

CLEBER PRAXEDES


BRASÍLIA — A Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) patrocinou uma corrida de kart que não foi realizada; a Companhia Vale do Rio Doce comprou camisetas para comemorar o aniversário da Hidrelétrica de Carajás sem licitação; a Telebrás contratou uma torcida organizada para o piloto Nelson Piquet; e uma supermáquina copiadora, que agora se sabe foi instalada na Receita Federal, conseguiu produzir 99.360 mil cópias por dia — 69 por minuto. Estas são algumas das irregularidades constatadas pela auditoria realizada no final do mês passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 210 órgãos públicos e empresas estatais.

O resultado da auditoria será apresentado hoje pelo presidente do TCU, ministro Marcos Villaça, aos demais membros do tribunal. Consta do relatório, por exemplo, que a Petrobrás superfaturou uma compra de motobombas. "A Petrobrás abriu uma concorrência no valor de R$ 7,5 milhões para a aquisição das motobombas, representando um adicional de 81% do preço estimado", informa o relatório.

Ainda na Petrobrás, foi verificada a realização de licitação irregular para a compra de tíquetes-alimentação, com prejuízo aos cofres públicos de R$ 30 mil. "Somente o ressarcimento desse valor daria para pagar todo o trabalho de auditoria realizado pelo TCU", comentou Villaça.

Com relação à ECT, empresa vinculada ao Ministério das Comunicações, o TCU apurou que ela decidiu patrocinar uma corrida no kartódromo de Brasília. Na Vale do Rio Doce, o tribunal apurou que a empresa Artur Andersen foi contratada para um serviço de consultoria na área fiscal, sem nenhuma explicação, por R$ 65 mil. Foi constatada, também, a compra de 4 mil camisetas para a comemoração dos 10 anos da Hidrelétrica de Carajás. A Telebrás, outra empresa vinculada ao Ministério das Comunicações, resolveu contratar a empresa Inter Works para patrocinar Nelson Piquet. O valor do contrato não foi revelado. Segundo os auditores, o piloto nem sabia disso.

Foram ainda descobertas contratações irregulares de pessoal no BNDES bem como falhas em contratos da Dataprev do banco do Nordeste e despesas indevidas de licitação na Fiocruz, Datamec e Companhia Docas do Rio. O documento indica como empresas sem irregularidades o Instituto de Material Bélico (Imbel), do Ministério do Exército, a Telesp, a Braspetro, a Eletrobrás, a Valec e a Fundação Casa de Rui Barbosa.

O TCU ainda não fez o levantamento financeiro do desperdício causado pelos 210 órgãos federais e empresas estatais. Mas Villaça considerou a auditoria "um sucesso" e prometeu outra para o segundo semestre. Hoje, ele vai desmembrar o relatório dos auditores em vários processos, que serão distribuídos aos ministros para análise final. Esses processos serão colocados separadamente em votação para a identificação dos responsáveis, que terão de ressarcir aos cofres públicos os prejuízos. 

PREJUÍZOS
CAUSADOS AOS
COFRES
PÚBLICOS
TERÃO DE SER
REPARADOS POR
RESPONSÁVEIS

O Estado de São Paulo, quarta-feira, 5 de abril de 1995

domingo, 17 de janeiro de 2016

15.07.1997 - Hipnose usada como motivação

ECONOMIA
Hipnose usada como motivação

Estratégia faz
parte do programa
do seminário
Desenvolvimento e
Empreendedorismo,
realizado na Fiergs

Hipnose a serviço da educação e como desencadeadora de aprendizados cuja finalidade é gerar mudanças nos padrões de comportamento, seja de forma consciente ou inconsciente. Desde ontem os gaúchos estão tendo acesso a essa nova tecnologia de desenvolvimento, que está ganhando espaços cada vez maiores na Europa e Estados Unidos, de atitudes pró-ativas em suas atividades profissionais. O curso: Seminário do Desenvolvimento e Empreendedorismo, que iniciou ontem e encerra hoje, é realizado na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), com o especialista Walther Hermann.

O consultor é especialista em programas recursivos educação comportamental acelerada através de estados alterados de consciência, NLP Licensed Trainer & Design Human Engineer -, formado por Richard Bandler e treinamento em Hipnose Ericksoniana pela The Milton Ericson Foundation - Phoenix, Arizona, USA. "A hipnose deve ser tomada como um instrumento de resgate de novos pontos de vistas comportamentais, necessários na hora das decisões e não como o antigo método", ressalta Hermann. Ele explica que sua atividade é trazer, através da neurolingüística, respostas que estavam no campo da inconsciência.

Walther Hermann parte do princípio que o ser humano utiliza somente 5% do seu cérebro, deixando os outros 95% de lado. O pequeno percentual mal usado, explica, causa stress e uma série de prejuízos. "Nosso programa serve como lubrificante para auxiliar na administração dos problemas", pondera o empresário paulista de 35 anos e há quase dez ligado ao estudo e difusão de novas tecnologias comportamentais. Seu programa, destaca, proporciona avaliação pessoal, redefinição de metas e habilidades de administrar o stress, além de instalar crenças possibilitadoras, estratégias e recursos eficazes de comunicação interpessoal. "O segredo é estimular o desenvolvimento da criatividade e potencializar o espírito empreendedor", ressalta. 

Adaptativa e generativa
O seminário, promovido pelo SESI, apresenta dois módulos. O primeiro aborda: Rompendo limites; Criatividade, motivação, e o empreendedor e Gerenciamento de Stress. No módulo II: Criatividade e espírito empreendedor; Rompendo limites e Motivação, e espírito empreendedor. O programa ou curso, que custa R$ 170,00 por módulo, aborda o empreendedorismo fora e dentro da empresa. "O profissional pode empreender dentro da própria empresa, levando sua idéia de investimento aos chefes e sendo parceiro na iniciativa", aborda Walther Hermann.

Os participantes
elogiam o curso
As pessoas que participaram do primeiro dia de atividades do Seminário de Desenvolvimento e Empreendedorismo, não foram nada comedidas nos elogios, ao analisar o seminário. "O programa propõe uma mudança de paradigmas, questionando os que adotamos até agora e apresentando uma nova abordagem", ressalta a empresária Zênia Dirani, 55 anos. Ela destaca que a proposta de Walther Hermann é causar inquietação nos alunos e os levar a uma reavaliação completa.

A professora Tereza Hoffmeister Lovatel, 54 anos, diz que ao usuar a hipnose, o consutor atinge o inconsciente e traz a tona, de forma suave, novas respostas que não lhe ocorrerria na hora das decisões. "Ele não dá as respostas, pelo contrário, apresenta o questionarnento e faz com que a própria pessoa as encontre", observa o empresário Jorge Figueiras, 49 anos.

A psicóloga Lisiane Borda Mendonça, 24 anos, enfatiza que ele vem com uma proposta diferente no campo do empreendedorismo, com o empregado trazendo seus projetos até a empresa e ela emcampando a idéia.

Jornal do Comércio, Porto Alegre, terça-feira, 15 de julho de 1997

sábado, 16 de janeiro de 2016

14.06.1990 - Avião que caiu em Mauá matou 4



Avião que caiu em Mauá matou 4

O avião monomotor de prefixo PT-NHX que caiu em uma travessa da rua Sofia Vital Marcolino, Jd. Zaíra-Mauá, na manhã do último domingo, deixou os quatro tripulantes mortos. Nenhum morador foi morto ou ferido. O monomotor bateu em duas casas indo se chocar direto contra um barranco, na encosta do morro, bem próximo às casas. Conforme a vizinhança que presenciou o acidente, com o choque, partes dos corpos foram lançadas para fora das ferragens, não sobrando nada do avião.

O piloto Henri Luc Claudius Maraninchi, 42 anos, francês, viajava com mais três tribulantes. Ana Célia Barcelos Maraninchi, esposa do piloto, e suas duas irmãs, Nadir de Souza Barcelos e Marta Aparecida Barcelos. O avião saiu do Campo de Marte, em São Paulo, às 9h45, com destino a São José dos Campos, a 85 km de São Paulo, tendo percorrido apenas 15 minutos de sua rota.

Conforme afirmou Salvanna Ferreira, moradora de uma das casas onde bateu o avião (a menos atingida) na rua Sofia Vital Marcolino, "ouvi o barulho, mas quando abri a porta não avistei nada, a neblina estava muito forte". Isto segundo a moradora aconteceu às 10h00. Outro morador, Gentil de Oliveira, que teve o telhado de parte da casa quebrado não presenciou o acidente. Sua esposa e seus dois filhos que estavam na residência não foram atingidos. Os residentes próximos ao local do acidente não ouviram barulho algum do motor do avião. Maraninchi pode ter desligado o motor, motivo pelo qual o avião não explodiu. 

PRIMEIRO A CHEGAR
Ao tomar conhecimento da queda do avião através da Rádio Mauá, o fotógrafo amador foi imediatamente para o local e foi o primeiro a registrar as imagens da tragédia que acabou vitimando 4 pessoas. Horrara Alves, o autor das fotos, mora na Vila Ana, em Mauá, e não perde oportunidade para praticar o seu hobby. 

JORNAL A VOZ, Ribeirão Pires, quinta-feira, 14 de junho de 1990